Um causo enviado pelo lendário Comendador Custódio Ribeiro Pereira, antigo membro da corte imperial e dono das terras do Balaio, ganhou as manchetes em jornais de todo o Brasil no ano de 1871. Trata-se de uma história assustadora e que teria acontecido por aqui, quando o povoado ainda era chamado de Santa Rita do Vintém.
A julgar pela quantidade de jornais que publicaram o relato do fazendeiro na época, imaginamos que ele pode ter enviado correspondência para dezenas de veículos de comunicação espalhados pelo país. Encontramos o causo no Correio de Victoria (28/10/1871), no jornal O Cearence (29/10/1871) e no Jornal da Tarde do Rio de Janeiro (18/10/1871). Em resumo, o relato de Custódio Ribeiro correu o país e ficou bem conhecido, na segunda metade do século 19.
Leia, a seguir, o texto macabro do homem que, de tão importante, fez a nossa região ser mais conhecida pelo nome de sua fazenda do que pela denominação do pequeno povoado.
O relato do Custódio
“O Sr. Custodio Ribeiro Pereira, importante fazendeiro da freguezia de Santa Rita do Vintém, narrou-nos o seguinte caso em uma carta que nos dirigiu, pedindo-nos a publicação do mesmo.
No dia 28 de Junho, próximo de um dia de jejum, cortara-se nesta freguezia uma rez e vendera-se a carne ao povo. Tendo um individuo, comprado o bucho, mandara o aprontar para o jantar. A mulher deste senhor, entretanto, observando ser dia de jejum, como havia anunciado o vigário da freguezia, não queria fazer o tal bucho, alegando ser um preceito da igreja. Mas o marido não deu importância e convenceu a mulher a preparar para o jantar uma boa ‘barrigada de vaca’.
A santa mulher meteu o bucho no tacho, com dor no coração, o qual, depois de ter fervido algum tempo, foi tirado do fogo para esfriar e deixado na cozinha, enquanto ela saiu para fazer outra coisa.
Quando entrou na cozinha para acender um cigarro, o marido olhou por acaso para a tachada de bucho e viu uma cara humana dentro do tacho! Surpreendido e assustado por tamanho fenômeno, chamou muita gente e mais de cem pessoas vieram à freguezia para atestarem a veracidade de tão estupendo fato!
Acha-se, pois, em minha casa e para quem quiser ver. Trata-se de um rosto humano, representando a cara de uma criança recém-nascida, cuja aparicão de tal forma nos espantou, causando alarme por estes lugares e cuja publicidade em seu jornal lhe peço, afim de que digam os sábios da realeza ‘que segredo é este da natureza’.”

































