A verdade histórica sobre a fundação

(Ivon Luiz Pinto)

Em 1821, Manuel da Fonseca, Jenubeva da Fonseca, Sua esposa, e Antônio, o filho, chegaram a esta terra vindos de Baependi a caminho da faisqueira, em Pouso Alegre. Caminhada difícil cheia de perigos pelas matas selvagens. Chegaram cansados, Emanuel adoentado, e foram acolhidos na fazenda da sesmaria de Braz Fernandes Ribas. Nessa fazenda eles conheceram a imagem da Santa Rita de Cássia que estava no Oratório da casa. Jenubeva Fez pedido à Santa pela saúde do esposo e doou 7 alqueires de terras devolutas.
Existem várias narrativas orais, sem fundamentação histórica, dizendo que o casal viera de Olivença em Portugal e trazia em sua bagagem a imagem de Santa Rita. Outras diziam que ele morava onde é hoje a Rua dos Marques. Não há nenhum fundamento histórico, nenhuma documentação.
O historiador Luís Gustavo Torquato Villela encontrou assentamento de batizado de Dionísio, filho do casal, ocorrido em 1789, em Santana do Sapucaí, atual Silvianópolis, como também de Ana (1791), Antonio (1793) e Laureana (1800), todos batizados em Santana do Sapucaí. De Santana eles mudam para o Mandu onde batizaram na Capela de Bom Jesus do Mandu os filhos Leonor (1803), João (1805), Luciana (1807) e Inocêncio (1809).
Com relação a Santa Rita do Sapucaí só há o registro de batismo, em agosto de 1825, feito no Oratório de Cap. Braz Fernandes Ribas, de Cândida, filha de Tomé de Almeida e Luciana Maria e NETA de Manoel José da Fonseca e sua mulher Jenubeva Maria Martins, que foram os padrinhos. O documento de batismo afirma que o casal era morador de Pouso Alegre.
Concluindo: Manoel da Fonseca e Jenubeva, ou Genoveva, não moraram em Santa Rita, por isso, não temos nenhuma documentação sobre eles. A imagem de Santa Rita, que hoje está guardada na sacristia do Santuário, pertencia ao Cap. Braz Fernandes Ribas e fazia parte de seu oratório.
Todas as terras boas e férteis deste rincão já tinham sido doadas por sesmarias a 13 pessoas. Restava apenas uma terra baixa, muito alagada formando brejo, com pequenas elevações secas e que não interessava a ninguém. Foi essa terra sem dono que, em 2 de Maio de 1821, foi doada à Santa Rita.
Em 1825 foi construída uma Capela, de pau a pique, em homenagem a essa Santa. No dia 22 de maio daquele ano, o padre Accioli veio de Santa Catarina, atual Natércia, e celebrou a primeira missa. A imagem chegou em procissão à casa de Braz Fernandes Ribas.
Em volta dessa Capela nasceu um povoado que se transformou em vila e, no dia 24 de maio de 1892, se vestiu de cidade.
A imagem fundadora da cidade está guardada na sacristia do santuário de Santa Rita e poucas pessoas a conhecem. Essa imagem é tombada pelo patrimônio histórico por ser de alto valor para nossa história.

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