(Maria Helena Brusamolin)
Eu já havia visto vários vídeos sobre a Semana Santa na Espanha, mas nunca imaginei que participar dela pessoalmente fosse me trazer tantas emoções, a ponto de cair em lágrimas na primeira vez que presenciei uma procissão em Sevilha.
Animadas com esse projeto, neste ano de 2026, Walkíria e eu tomamos a decisão de fazer tal viagem. Escolhemos a Andaluzia, região no sul da Espanha, traçamos um roteiro, compramos as passagens, reservamos hotéis e partimos! Córdoba, Sevilha, Ronda, Málaga e Granada foram as cidades escolhidas.
Em Córdoba nós visitamos a espetacular Mesquita-Catedral, com mais de treze séculos de história, cuja sala de oração possui mais de 1.300 colunas de mármore. Já foi mesquita no passado e hoje é Catedral de Nossa Senhora da Assunção.
Ronda é uma cidade maravilhosa que fica no topo de um desfiladeiro profundo. A Puente Nuevo é uma ponte em pedra que atravessa o desfiladeiro e une a cidade velha à nova. Não posso negar que, olhando para baixo ao atravessá-la, a sensação é de um tremendo frio na barriga. Próxima a Ronda fica a pequena vila chamada Setenil de Las Bodegas, conhecida mundialmente por suas casas construídas sob e dentro de enormes rochas, tendo o penhasco como teto. Imperdível e assustador!!
Fomos ainda a Granada, famosa pelo palácio de Alhambra e herança moura, situada aos pés da Sierra Nevada. O complexo do Alhambra merece um dia inteiro de visita.
Muito bem, mas voltemos à Semana Santa que é uma das celebrações mais intensas e significativas do país, onde cada cidade se transforma em palco de dezenas de procissões organizadas por irmandades religiosas, destacando-se pelos enormes andores carregados por centenas de pessoas, os chamados costaleros, com forte comoção popular e música. Os andores que transportam imagens da Paixão de Cristo chegam a pesar 5 toneladas e exigem mais de 200 costaleros (homens e mulheres) para carregá-los num desfile que dura horas. As cidades se transformam em cenários ao ar livre com grande demonstração de devoção, música de bandas marciais e grande afluência de moradores e turistas.
Os costaleros, como disse acima, são os carregadores que suportam os andores e nós os vimos pela primeira vez em Sevilha. Trabalham em equipe, são organizados por altura e força muscular e carregam o peso nos ombros e pescoço (costal) em um ato de devoção, sacrifício e longa preparação. Ninguém os vê, pois ficam debaixo dos andores e também marcham ao ritmo da banda que os acompanha. Só são vistos quando a procissão para e eles saem uns minutos para descansar.
Málaga foi o ponto alto e é uma das cidades mais tradicionais desse evento. Cada procissão é composta pelos nazarenos, que se vestem com camisolões e têm o rosto coberto por um capuz no formato de um cone. Carregam velas enormes e andam ao ritmo da banda de música, bem devagar. Há também os estandartes com os nomes das congregações, várias autoridades, e no final surge o andor de Cristo seguido pelo de Maria. A ornamentação desses andores é algo inexplicável. São maravilhosos!
Em Málaga os carregadores são conhecidos como homens do trono, que também atuam em perfeita sincronia, carregando os andores sobre os ombros, mas do lado de fora.
Walkíria e eu ficávamos horas em pé ou sentadas em banquetas aguardando a passagem das procissões. Levávamos lanche, água, e tivemos a sorte de ficar hospedadas em hotéis bem próximos ao trajeto das procissões, o que nos proporcionava um bom conforto.
E assim foi a nossa aventura no Sul da Espanha. Muita religiosidade, respeito, oração e conforto para a alma. Foi uma Semana Santa inesquecível.
Nossa única falha foi estar em Sevilha no Domingo de Ramos, pois, nesse dia, em Málaga, o maravilhoso Antônio Banderas, um legítimo malaguenho, sempre acompanha, como um dos penitentes, a procissão da Irmandade da Virgem das Lágrimas e Favores da qual faz parte.
Que furada nós demos, hein, Walkíria?
Como dizia aquele filósofo chinês: – Ah, se eu soubesse…

































