Para Adriana Flauzino, a fotografia nunca foi apenas um registro de paisagens ou de momentos especiais. Ao longo dos anos, se transformou em uma maneira de observar o mundo, preservar memórias e revelar histórias que muitas vezes passam despercebidas. Esse olhar foi construído aos poucos, impulsionado por viagens, experiências vividas em outros países e pela constante vontade de aprender.
Embora sempre tenha gostado de viajar e registrar os lugares por onde passava, foi durante o período em que viveu na Alemanha, entre 2013 e 2015, que a fotografia passou a ocupar um espaço definitivo em sua vida. O contato com uma cultura onde a fotografia faz parte do cotidiano despertou um novo interesse. Ela percebeu que era comum encontrar pessoas apaixonadas pela atividade, além de feiras de antiguidades e mercados de pulgas repletos de câmeras analógicas. As amizades que construiu naquele período também contribuíram para aprofundar esse interesse, levando-a e o marido, Luciano, a adquirirem equipamentos e estudarem cada vez mais a linguagem fotográfica.

Um dos momentos que Adriana guarda na memória aconteceu quando viu a neve pela primeira vez. Morando próximo a um parque, saiu com a câmera para registrar a paisagem e, desde então, passou a fotografar o mesmo local durante as quatro estações do ano. Ela gostou tanto da experiência que repetiu em outros pontos da cidade, registrando árvores, caminhos e cenários que mudavam completamente conforme o clima. “Eu penso muito em fazer isso aqui também, mas no Brasil as mudanças das estações não são tão marcantes como lá.”
De volta ao Brasil, a fotografia ganhou um novo combustível através das viagens de motocicleta realizadas por ela e Luciano. Desde 2017, eles passaram a realizar expedições de moto pela América do Sul e, mais do que visitar destinos, Adriana começou a registrar culturas, paisagens e cenas. Diferente de um ensaio planejado, o ritmo das viagens exigia rapidez. “Não havia tempo para escolher um tema específico. Era preciso registrar aquilo que aparecia diante dos olhos.” Foi atravessando a Cordilheira dos Andes que algumas das fotografias mais marcantes foram captadas.

Adriana lembra da primeira travessia, em temperaturas próximas de quatro graus, utilizando uma câmera compacta presa ao pescoço. Em determinado momento, no fim da tarde e a mais de três mil metros de altitude, parou para fotografar o sol, as montanhas e a sombra projetada pela motocicleta.
Na viagem seguinte, rumo a Ushuaia, outro momento ficou gravado na memória. Enquanto tentava chegar ao próximo posto de combustível, antes do anoitecer, observava um espetáculo de cores no céu. “De um lado havia um pôr do sol completamente alaranjado. Do outro, aquele céu azul claro misturado com tons rosados. São imagens que ficam para sempre.”

As trilhas também renderam registros especiais, como as caminhadas até o Fitz Roy e o Parque Nacional Torres del Paine. Com o tempo, o casal substituiu as câmeras maiores por equipamentos mais leves e adequados às longas viagens de motocicleta. Embora reconheça a evolução das câmeras de celular, Adriana continua preferindo utilizar equipamentos fotográficos. “A diferença aparece quando você amplia a imagem, imprime ou participa de concursos.”
Além das paisagens internacionais, a fótógrafa desenvolveu projetos voltados para Santa Rita do Sapucaí. Um deles é o Voz Ativa, criado com o objetivo de registrar ações positivas realizadas na cidade. Por meio dele, fotografou iniciativas comunitárias, atividades esportivas, projetos sociais e organizações como o Coletivo Marias, sempre procurando mostrar pessoas que transformam a realidade local. Dentro desse projeto nasceu outro trabalho: retratar mulheres com mais de 80 anos. A proposta é construir um acervo que valorize a memória, a experiência e a trajetória dessas mulheres. “É algo que ainda está em andamento. Sempre encontro novas histórias para registrar.” Entre 2017 e 2018 também realizou um trabalho voluntário na APAE e produziu diversas imagens dos alunos. Outra etapa importante aconteceu quando passou a integrar Fotoclubes que reuniam fotógrafos da região.

A participação em exposições, passeios fotográficos e atividades voltadas à fotografia analógica serviu como incentivo para continuar evoluindo tecnicamente. Embora tenha formação em Engenharia Elétrica pelo Inatel e tenha retornado à área profissional após um período trabalhando com fotografia, nunca deixou de produzir imagens e chegou a dar aulas de alemão.
Hoje, Adriana atua como fotógrafa e realiza edição de vídeos para um canal no Youtube. Também faz coberturas de eventos, aniversários, confraternizações, ensaios de família, gestantes, retratos corporativos e cerimônias religiosas e civis. Apesar da variedade de trabalhos, ela demonstra um interesse especial pela fotografia documental do cotidiano. Seu desejo é acompanhar famílias durante momentos simples, registrando o crescimento das crianças de maneira espontânea, sem depender apenas das tradicionais fotos posadas. “Eu gosto muito desse tipo de fotografia mais natural. É ela que conta a história das pessoas.”

Além do trabalho profissional, Adriana também atua como professora de fotografia em oficinas extracurriculares da ETE, onde apresenta aos estudantes desde os princípios básicos da fotografia até o funcionamento das câmeras analógicas. Os alunos fotografam utilizando filmes que são revelados e digitalizados. Ela conta que encontrar laboratórios capazes de revelar os filmes se tornou tarefa difícil, sendo necessário enviar o material para São Paulo.

































