(Por Emerson Silva)
Taxi Driver completa 50 anos de seu lançamento neste mês. O filme chegou aos cinemas dos Estados Unidos em 8 de fevereiro de 1976 e estreou no Brasil em 22 de março do mesmo ano.
Escrito por Paul Schrader em um período turbulento de sua vida — quando ele mesmo se submeteu a uma solidão sufocante, descrita como uma “caixa de ferro” — essa metáfora se materializou no táxi conduzido pelo protagonista.
A história se passa em uma Nova Iorque decadente, à beira do caos, abalada pelo pós-Vietnã e pelo escândalo de Watergate. Em uma das cenas vemos montes de lixo acumulados nas ruas. Tratava-se de uma greve real, que contribuiu para a estética pesada e suja que o maestro Martin Scorsese conduziu.
Travis Bickle, interpretado de forma genial por Robert De Niro — marcando o início da lendária parceria entre ator e diretor — é um veterano da marinha que sofre de transtorno de estresse pós-traumático. Incapaz de dormir e alienado do convívio social, ele passa as noites dirigindo seu táxi pelas ruas caóticas da cidade, nutrindo o desejo de “limpar a sujeira” que contamina Nova Iorque.
O icônico colaborador Bernard Herrmann que, ao lado de Alfred Hitchcock, foi responsável por redefinir o suspense, entregou aqui sua última composição. A trilha sonora dá vida à mente turva de Travis, refletida nos vidros molhados do carro e no tom claustrofóbico e expressionista da fotografia. Um anti-herói celebrado pela imprensa, expressão de uma masculinidade tóxica tão presente hoje quanto nos tempos em que erigíamos estátuas para líderes maquiavélicos.
Taxi Driver permanece como um dos retratos mais contundentes de uma sociedade corrompida por valores que ofuscam a lucidez. É a representação perturbadora da solidão de um homem que continua sozinho, mesmo quando rodeado por uma multidão.

































