A lata de azeite

(Por Bráulio Souza Vianna)

Os filhos pequenos não entendiam de finanças domésticas, mas iam aprendendo que a vida não se ganha de graça e nada pode ser desperdiçado. A alimentação precisava ser bem feita, mas também com consciência e economia.
Sempre tivemos à mesa frutas à vontade mas, na época, maçã e cereja eram produtos importados e caros. Logo aprendemos que quando entravam em casa tinham que ser consumidos com muita parcimônia.
Mas o mais engraçado era o procedimento para furar uma lata de azeite, um daqueles produtos importados e caros na época, considerado de luxo. Literalmente, cada gota devia ser economizada. Para furar adequadamente a lata, era necessário um preguinho do mais fininho, o Chefe dos Pregos era o mais indicado para achar um.
Dois furos em diagonal era o que todo mundo fazia. Lá em casa, além dos furinhos serem pequenos, papai os fazia na diagonal contrária ao que seria natural para uma pessoa destra. Assim, tornava mais desafiadora a operação de verter as gotas!
Alguns descobriram a tática de usar a mão esquerda… Daí veio a edição final do procedimento: um só furinho, na borda difícil para os destros. Para tentar verter algumas gotas a mais, como não entrava ar, tinha que levantar a lata e inclinar novamente.
Dá para imaginar o que aconteceu num dia em que uma empregada desavisada meteu o abridor de latas?!
E assim fomos crescendo e aprendendo a ter consciência do valor das coisas.
(Texto extraído da obra “Tilenka: 100+delongas”, de Bráulio Souza Vianna)

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