As aventuras de Mário do Putieu

(Por Maria Helena Brusamolin)

Um belo dia, mamãe acordou com uma azia danada. Procurou bicarbonato, não achou; magnésia bisurada, também não. Ficou então matutando sobre o que iria fazer para curar aquela “queimação” que subia pelo peito, apertava e morria na garganta.
Queixou-se então ao Mário, que tomava seu café da manhã calmamente para em seguida ir para o trabalho no armazém do nosso pai. Mário então lhe contou que haviam inventado um remédio novo para azia, muito poderoso, uma verdadeira revolução no mundo dos medicamentos. Chamava-se Sonrisal. Acabou de tomar café, acendeu seu cigarrinho e desceu as escadas pulando apressado para comprar o remédio para a mãe na farmácia do Sr. Astolpho.
Minutos depois, chega o Mário com o envelope do remédio. Entregou-o para a mamãe e dirigiu-se à porta, pois já estava atrasado para o trabalho. Não explicou como é que se tomava aquilo. Pronto! A tragédia estava anunciada! Mamãe tirou aquele comprimido enorme do envelope, olhou, virou, ficou encabulada…
— “Como é que pode um comprimido desse tamanho passar pela garganta? Vou partir em dois e tomo um pedaço por vez.”
Encheu um copo com água, colocou metade da pastilha na boca e bebeu a água.
Nesse momento o mundo virou de cabeça para baixo e a alma quase saiu do corpo. De acordo com seu relato, ela pensou que o mundo fosse acabar ali mesmo na cozinha. O treco ferveu, borbulhou e ela não sabia se engolia, se cuspia, ou se gritava por socorro. Era espuma que não acabava mais! Quase morreu sufocada, coitada… Depois de um certo tempo, quando a espuma diminuiu e ela conseguiu respirar, a primeira coisa que disse não poderia ser outra:
—Eu ainda mato o Mário!

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