(Por Maria Helena Brusamolin)
Desde muito nova sempre nutri um gosto especial pela leitura. Menina curiosa, quando a TV ainda não havia chegado lá em casa, a diversão era o rádio. Quando me sentia entediada com aqueles programas de adulto, meu pai me incentivava a ler. Meu irmão Mário, aquele mesmo das estripulias, tinha a coleção completa de Arsène Lupin, o ladrão de casaca, além de vários livros sobre a II Guerra Mundial. Eu vivia pedindo algum emprestado e lia com voracidade. Mais tarde, quando meu irmão Sebastião foi estudar fora, sempre trazia um livro de presente para mim quando vinha para Santa Rita. Li a coleção completa de A. J. Cronin.
Num Natal ganhei de presente do meu pai o clássico O Touro Ferdinando, de Munro Leaf, que se tornou meu livro de cabeceira. Nem sei quantas vezes o li e sonhei que estava presente naquelas touradas… Daí em diante eu já era um caso perdido. Comecei a pedir livros de presente, economizava para comprar e fui compondo uma biblioteca respeitável. O problema é que começou a faltar espaço para tanto material e eu passei a fazer doações, movida não apenas pelo problema espacial, como também pela vontade que sempre tive de compartilhar o que lia. Na minha cabeça eu achava que o conhecimento, o prazer da leitura, a cultura, tudo isso deveria ser disseminado, não ficando confinado a uma única biblioteca caseira.
Assim, sempre doei para a Biblioteca Pública, para escolas, para Penitenciárias, para todo lugar onde existissem pessoas que poderiam tirar um bom proveito do material.
Certo dia me ocorreu uma outra ideia: por que não criar uma biblioteca, ou mesmo uma livraria no portão de minha casa? Ali eu deixaria os livros, a pessoa passaria, escolheria um e levaria para casa sem precisar pagar, devolver ou repor.
Minha vizinha, amiga e comadre Mônica, também diretora da premiada Escola Estadual Dr. Luiz Pinto de Almeida, me cedeu um porta-livros no formato de uma sapateira, com bolsas onde os livros podem ser colocados. Pronto! Estava criada a LIVRARIA DE RUA!
Vocês não podem imaginar o prazer que isso tem me proporcionado. Eu exponho o material na grade do meu jardim, do lado de fora, coloco um aviso para a pessoa escolher um exemplar e levar, mas não fico lá o tempo todo. Mesmo porque minha presença pode inibir a pessoa. Meu maior prazer é, de vez em quando, dar uma espiada e ver que faltam quatro, cinco, sete livros!
Às vezes, por coincidência, quando vou lá fora e tem alguém pesquisando o material, eu ofereço ajuda, pergunto sobre o estilo de literatura preferido da pessoa, recomendo algum e lá vai a pessoa, adulto ou criança, com o livro debaixo do braço na maior alegria. Mas essa alegria nunca é maior que a minha, pois me sinto bem compartilhando tudo de bom que a vida tem me proporcionado através da leitura. Vida longa à LIVRARIA DE RUA!!!

































