Centenas de lâmpadas multicoloridas iluminavam a parte externa do Instituto Moderno. Nos salões, flores e luzes compunham a decoração preparada para receber autoridades, famílias e visitantes de cidades vizinhas. Em junho de 1913, Santa Rita do Sapucaí festejava a equiparação da escola à Escola Normal Modelo da capital mineira. A comemoração durou três dias e deu aos alunos um lugar de destaque na programação.
O reconhecimento havia sido oficializado pelo Decreto nº 3.915, de 19 de maio de 1913. Um mês depois, os festejos foram relatados pelo Correio Paulistano, na edição de 21 de junho. A notícia registrou desde os discursos da cerimônia até a distribuição dos papéis nas peças encenadas pelos estudantes.
O programa começava às cinco e meia com um banquete de 25 lugares oferecido ao dr. Carvalhaes de Paiva. Às sete horas, estava prevista a recepção solene que contaria com a presença de um representante do vice-presidente da República. Na ocasião, a aluna Amélia T. e Silva discursou em nome do Instituto.
A presidência da sessão solene coube ao diretor da Secretaria do Interior, que representava Delfim Moreira. Houve ainda uma conferência literária de Manuel Francisco Pinto Pereira sobre a “Geração Moderna”, além de manifestações de representantes da instrução, do povo de Santa Rita e da Escola Noturna. Encerrada a parte dos discursos, os estudantes assumiram a programação. O certame artístico e literário incluía A palmeira, apresentada por Antônia Landre; recitações e monólogos de alunos do grupo escolar; a cançoneta Quando eu crescer, interpretada por Augusta e Cornélia, alunas do Instituto; o Bailado das falenas; e a cena cômica Um disparate. Às dez horas, começava o baile.
No segundo dia, os alunos do grupo escolar ofereceram uma sessão dramática e lírica a Carvalhaes de Paiva. O jornal atribuiu o resultado da apresentação ao trabalho do diretor José Raposo e dos professores, que, segundo a notícia, receberam muitos elogios.
No terceiro dia, a festa voltou-se aos pais dos alunos. O programa teve início com o Bailado das Flores e prosseguiu com Ressurreição, drama infantil em três atos escrito por Francisco Falcão, professor da escola.
A notícia preservou os nomes de parte do elenco. Fernando Mendes Filho interpretou Alberto, um marceneiro; Sylvio de Camargo representou Luizinho, seu filho; Americana de Faria fez Júlia, mulher de Alberto; e Marieta Carvalho viveu Maria, tia de Júlia. Também participaram José de Andrade, Pedro de Barros Dias, Delfino de Abreu, Edmundo Paulo, Edison Moreira e José Prado. No intervalo, Augusta Xavier e Cornélia Silva apresentaram a cançoneta Quando eu crescer.
A última parte do programa trouxe O corvo e a raposa, comédia em um ato de Olavo Bilac, encenada por Augusta Xavier, Juvencina Cunha, Antônia Landre, Aracy dos Santos e Henriqueta Alves.
Depois da apresentação de Ressurreição, Francisco Falcão foi chamado à cena e aplaudido pela plateia. Godofredo Lima saudou o autor em um improviso, ao qual o professor respondeu agradecendo a homenagem dos intelectuais de Santa Rita.
O jornal encerrou a notícia com a composição do corpo docente. Entre os professores citados estavam João de Camargo, Leopoldo de Lima, Theodorina de Abreu, Maria José Mendes Ribeiro, Corina de Alencar Falcão, Amélia de Camargo, Francisco Falcão, José Raposo Lima, José Del Picchia, Thomé Cândido Cornélio Silva e José Mendes Vilela. Amassília Fleming aparece como auxiliar da disciplina.

































