Desenvolvido em Santa Rita do Sapucaí (MG), no ambiente de inovação do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), um copo inteligente capaz de identificar a presença de drogas dopantes e metanol em bebidas alcoólicas promete contribuir no combate ao golpe conhecido como “Boa Noite, Cinderela”. A resposta do invento é rápida: a detecção ocorre em cerca de 15 segundos, sem alterar o sabor ou o odor da bebida.
A inovação foi criada pela estudante de Engenharia Biomédica do Inatel Rayana Fernanda dos Santos Silva e recebeu destaque ao ser premiada na 44ª edição da Feira Tecnológica do Inatel (Fetin). O projeto, batizado de “Safo Sip” (“gole seguro”, em tradução livre), consiste em um copo ecológico que muda de cor ao identificar substâncias suspeitas no líquido.

O funcionamento do invento baseia-se em uma fita gelatinosa de origem vegetal, incorporada ao copo e produzida a partir de antocianinas, pigmentos naturais solúveis em água. Esses compostos reagem às alterações de pH provocadas pela presença de substâncias adulterantes. Caso drogas dopantes estejam presentes, a coloração original roxa se transforma em rosa; já a presença de metanol provoca uma mudança para amarelo néon.
Segundo a professora Maysa Costa Alves, orientadora do projeto, o pH é um importante indicativo em análises toxicológicas. “O pH é uma das pistas usadas em análises toxicológicas, porque soluções caseiras do GHB de sódio costumam ser bem alcalinas”, explicou em entrevista. A estudante Rayana complementa destacando a relevância social da pesquisa: “Estudos indicam que cerca de 25% das mulheres já foram vítimas desse tipo de crime”.
A professora reforça que o objetivo do copo não é identificar uma droga específica, mas sinalizar a presença de substâncias dopantes por meio da variação de pH. “O GHB pode se comportar de formas diferentes. O ácido puro é um ácido fraco, numa faixa de pH de 2,5 a 4,5, mas o GHB de sódio é um sal básico, com pH entre 7,5 e 9. Por isso, o pH é uma pista importante, já que soluções caseiras costumam ser bem alcalinas”, detalhou.
Para garantir a precisão do dispositivo, a fita pode entrar em contato com diferentes tipos de bebidas, desde que estejam em temperatura ambiente ou geladas por algumas horas. A vida útil da fita é de até três dias (72 horas), período após o qual começa a apresentar sinais de degradação.
“A calibração dos reagentes foi um cuidado essencial para que a fita reagisse apenas a uma faixa específica de substâncias. Bebidas como café ou energético, por exemplo, não provocam mudança de cor. A reação ocorre apenas com substâncias associadas ao ‘Boa Noite, Cinderela’ e ao metanol”, concluiu a professora Maysa Costa Alves.

































