(Bráulio Vianna)
Num domingo de manhã, resolvemos fazer umas preces no Santuário de Aparecida, que ficava a poucos quilômetros de onde morávamos na base aérea de Guaratinguetá. Possuíamos então um Mercury 1949, 4 portas, cujas portas de trás se abriam para a frente. O banco da frente era inteiriço e com encosto alto, de tal forma que não se enxergava o banco de trás. Carro abastecido e a turma (Bruno, Breno, Brenda e Angelina) acomodada no banco de trás, seguimos pela Rodovia Presidente Dutra, que era ainda de pista simples.
Pegamos a velocidade de cruzeiro de 50 milhas. O Bruno e o Breno estavam brigando e para separá-los, foram colocados separados, próximos às portas. O Breno, querendo travar a porta, o que era feito abaixando a maçaneta, fez o movimento para cima e a porta se abriu. A Angelina gritou desesperada: “A porta abriu!!!” E falamos de volta: “Fecha a porta criatura!!! “ Falamos de volta. “Só que o Breno foi junto!” Desespero total. Voltamos de ré pelo acostamento pensando no pior.
Para nossa alegria, ele vinha pela pista correndo e gritando: “Papai me espera!”. Os caminhões passavam por ele desviando. Caiu no acostamento da Dutra com o carro em movimento e ralou a cabeça. Por sorte, estava com dor de ouvido e a Angelina tinha amarrado uma fralda em sua cabeça, que o protegeu dos pedregulhos. Levamos ele às pressas para o Hospital da Aeronáutica para as suturas na cabeça. Abalado como eu estava, não consegui anestesiá-lo, e o colega cirurgião teve que chamar o anestesista da Santa Casa.
Foram 66 pontos dados, sendo que nenhum deles inflamou e o Breno se recuperou bem e não teve qualquer sequela. Já o Mercury 1949, que subia a serra de Piquete em última marcha, troquei por outro Mercury 1951, com motor mais fraco, porém com as portas traseiras com abertura para trás.

































