(Por Bráulio Souza Vianna)
Aos touros dava nomes como Tango21, Imperador, Regente, Monitor, Faraó. Os melhores cavalos que lembro tinham nomes de Estado ou Capital: Paraná, Mossoró, Maranhão, Trevo. Já suas vacas de leite sempre tiveram nomes de mulheres.
O normal nas outras fazendas era usar nomes de acidentes geográficos (Montanha, Cachoeira…), pedras preciosas (Esmeralda, Rubi), adjetivos (Amorosa, Dengosa) e por aí vai. Mas ele sempre acreditou que dar nomes de mulheres às vacas era uma forma de homenageá-las, e assim batizava as vaquinhas com nomes de pessoas queridas, dando-lhes uma face mais humana.
Nem todas as mulheres enxergavam como ele, havia aquelas que pensavam que aquilo era ofensivo. Como assim, vacas com nome de mulheres??? Que absurdo!!!!
Certa vez, a namorada de um dos filhos foi ser apresentada ao rebanho. Em parte criada na capital, com valores feministas, se indignou com esse estranho costume. Porém, numa segunda visita, Nego lhe apresentou sua xará bovina. Uma novilha girolanda, linda, um pouco temperamental, mas que seria muito boa de leite. E lhe convidou para ajudar a fazer a sua inseminação artificial. E ela se encantou com essa tarefa e ficou aguardando o resultado. Uma linda bezerra nasceu e, a partir dali, se apegou à sua homônima e não mais questionou essa norma do pai do seu namorado e sempre queria ver a xará e sua linda cria, que ela tinha ajudado a conceber.

































