Um drink com Tarantino

Neste texto, Emerson Silva mistura cinema e memória para lembrar como uma fita VHS, uma fuga da escola e uma tarde qualquer nos anos 90 podem se transformar em algo eterno. Porque, no fim das contas, o cinema não é só imagem na tela — é amizade, é saudade, é o tempo que passa… e fica.

(Por Emerson Silva)

Um Drink no Inferno completa 30 anos de lançamento neste mês. O filme chegou aos cinemas dos Estados Unidos em 19 de janeiro de 1996 e estreou no Brasil em 26 de abril do mesmo ano. Três décadas depois, segue sendo um daqueles títulos que não envelheceram, apenas ganharam novas leituras com o tempo.
Meu primeiro contato com o universo de Quentin Tarantino aconteceu em 1998, quando eu tinha 13 anos. Lembro-me de estudar no período da tarde, em São Gonçalo do Sapucaí — cidade às margens do mesmo Rio Sapucaí que atravessa nossa Santa Rita. Naquele dia, meu melhor amigo de infância não falava de outra coisa: havia assistido a um filme três vezes seguidas e ainda estava com a fita VHS alugada. Chamou a mim e mais dois amigos para irmos à sua casa. O pequeno detalhe? Ainda estávamos na escola. Mas demos um jeito de escapar. Era o tipo de aventura que só fazia sentido naquela idade, quando o cinema parecia maior do que qualquer consequência.
A atuação de Tarantino é perturbadora e marcante. Ele e George Clooney interpretam os irmãos Gecko, assaltantes de banco. O elenco ainda conta com Juliette Lewis, adolescente, e Harvey Keitel. Na segunda parte do filme, o diretor Robert Rodriguez imprime seu estilo característico de terror e exagero gore, quando os personagens chegam a um bar no México e a história toma um rumo completamente inesperado. O filme abandona qualquer ilusão de gênero fixo e se transforma em outra coisa. Destaque para Salma Hayek dançando com uma píton gigante e servindo tequila diretamente na boca de Tarantino — uma cena que se tornou icônica e difícil de esquecer.
O tempo passou. Um daqueles amigos tornou-se professor de matemática, outro virou desembargador e meu melhor amigo de infância faleceu em 2024. Mesmo sem vê-lo há mais de 10 anos, sei que terei saudades dele pra sempre. Talvez seja isso que o cinema faça de melhor: amarrar lembranças, pessoas e momentos a imagens que ficam guardadas, intactas, mesmo quando tudo mudar ao redor.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA