(Por Jeriel Bustamante)
Cheguei a Santa Rita no fim da tarde, quando a cidade já parecia respirar outro ritmo. As ruas estavam tomadas por gente elegante, sacadas enfeitadas e um burburinho que só quem vem de fora percebe com mais espanto do que costume. Diziam que ali o Carnaval não era apenas festa. Era disputa, espetáculo, identidade.
Quando a noite caiu, as luzes da praça se acenderam e o som dos confetes estalando no chão se misturou aos primeiros acordes da banda. O desfile vinha anunciado de longe, acompanhado de aplausos e foguetes. Primeiro o Ride, depois o Democráticos. Aprendi rápido que não se escolhia lado em silêncio. Cada estandarte erguido arrancava gritos, cada fantasia luxuosa confirmava que aquele era um Carnaval pensado nos detalhes, quase solene, mas ainda assim profundamente alegre.
Os carros alegóricos avançavam lentamente, cheios de brilho, figuras imponentes e rainhas acenando como se dominassem o mundo por algumas horas. Ao redor, o povo se apertava: famílias inteiras, senhores de chapéu, moças de vestido bem passado, crianças correndo entre serpentinas. Tudo parecia coreografado, como se a cidade inteira soubesse exatamente o seu papel naquela noite.
Depois do desfile, segui o fluxo até o baile. Lá dentro, o calor, a música e o riso misturavam classes, histórias e desejos. Confetes caíam do alto, o chão já não tinha cor definida e ninguém parecia disposto a deixar aquele sonho acabar. Entendi então por que tanta gente vinha de longe para ver o Carnaval de Santa Rita: não era apenas o que se via, mas o que se sentia. Uma cidade inteira se reinventando, ano após ano, sob o reinado passageiro de Momo.

































