(Por Maria Helena Brusamolin)
– Mãe, socorro, o Mário vai morrer!!!
– O que é isso, menina? Conta essa história direito!
Eu engolia as lágrimas, parava de soluçar, respirava fundo para recuperar o fôlego prejudicado pela corrida desabalada entre o Country Clube e a minha casa, e contava o que acontecia corriqueiramente na piscina daquele clube e que fazia a alegria da galera.
Mário, daquele tamaninho, subia lentamente os degraus do trampolim mais alto, geralmente depois de tomar umas e outras no barzinho do clube, e olhava para baixo. Quanto maior a plateia, melhor. Era um momento de grande tensão… Dentro d’água, dezenas de amigos o incentivavam a mergulhar. Do lado de fora, o povo se aglomerava para assistir ao espetáculo.
– Venham ver! O Mário do Putieu vai saltar! Pula! Pula!
Ele então tomava posição, erguia os pequenos braços acima da cabeça, juntava as mãos e se lançava ao vazio num salto digno de um atleta olímpico.
Meu coração se apertava. Ai, meu Deus, ele não aparece.
Os amigos mergulhavam, subiam, mergulhavam novamente, e nada do Mário.
Dali a pouco se ouvia a estrondosa gargalhada do baixinho. Ele enganava a todos e, como sabia nadar muito bem, se esgueirava no fundo da piscina e surgia do outro lado, bem longe da plataforma de saltos.
Mesmo sabendo que ele iria se safar, meu coração de criança se apavorava com a ideia de que o Mário iria desaparecer no fundo da água.
Quanto chegava em casa, mamãe passava-lhe um sabão, ao mesmo tempo enérgica e carinhosa, pois ninguém ficava imune à graça e ao carisma do pequeno Mário.
Apaixonado pelo bloco Ride Palhaço, ele sempre nos desarmava quando, depois de um pito, começava a cantar bem alto o hino do bloco. A gente não aguentava e caía na gargalhada com ele.
Mas esta é uma história para um próximo episódio.

































