Ao ingressar na década de 2010, a Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa já havia superado os desafios estruturais do final do século anterior. O que se desenhava, a partir de então, era um novo ciclo: o da maturidade institucional, em que a escola passava a articular, de forma consciente, formação técnica, inovação aplicada, espiritualidade inaciana, impacto social e preservação da memória.
Esse movimento começa a ganhar forma, ainda em novembro de 2010, quando a direção da ETE FMC inicia a reestruturação de um projeto antigo da instituição: o CEDEN – Centro de Desenvolvimento de Negócios. Oficialmente apresentado em fevereiro de 2011, o CEDEN não surge como ideia experimental, mas como uma estrutura profissional completa, pensada para atuar fora da rotina acadêmica, com sigilo, dedicação exclusiva e padrões internacionais de qualidade.
A proposta era clara: transformar o campus em um ambiente também voltado à prestação de serviços tecnológicos, utilizando a expertise técnica acumulada ao longo de décadas. O CEDEN nasce com laboratórios próprios de software, CAD, hardware e testes, além de uma equipe formada por treze técnicos especializados e três engenheiros de desenvolvimento. Antes mesmo do início formal das atividades, contratos já haviam sido firmados para desenvolvimento de produtos, treinamentos técnicos e kits didáticos.

Em agosto de 2011, o CEDEN já operava “a todo vapor”. Parcerias com o Inatel e a Ericsson colocaram equipes da ETE em campo, realizando centenas de vistorias em sites de telefonia celular para grandes operadoras nacionais.
Paralelamente, o centro passou a oferecer cursos e treinamentos especializados, além de projetos de Pesquisa & Desenvolvimento em parceria com empresas, utilizando mecanismos de fomento governamental. A ETE deixava de ser apenas formadora de mão de obra: tornava-se agente ativo do arranjo produtivo do Vale da Eletrônica.
O ano de 2012 marca uma reorganização importante no campo humano e institucional. Em março, assume a Direção de Formação Cristã e Comunitária o Padre Élcio José de Toledo, SJ, vindo do Colégio dos Jesuítas de Juiz de Fora. Sua chegada reforça a dimensão inaciana da escola e amplia sua atuação junto à Associação dos Antigos Alunos e ao Laboratório de História Oral, responsável pelo acervo histórico, imagens e pelo Museu da Eletrônica. A formação integral, que sempre caracterizou a ETE, passa a dialogar de modo ainda mais consciente com memória e identidade institucional.
Em 3 de maio de 2012, ocorre um momento simbólico: Alexandre Loures Barbosa assume a Direção Geral da ETE FMC. Pela primeira vez, um ex-aluno da própria escola, técnico formado pela ETE, engenheiro pelo Inatel e mestre pela EFEI, passa a dirigir a instituição sob orientação dos Jesuítas. No mesmo ato, Pe. Élcio é designado Reitor, função que, na tradição da Companhia de Jesus, representa a liderança religiosa dentro da instituição. O gesto simboliza a maturidade de um projeto educacional capaz de formar seus próprios líderes.
Na mesma data, a comunidade é informada da transferência do Padre Guy Jorge Ruffier, SJ, para o Colégio Anchieta de Nova Friburgo. O texto que anuncia sua despedida funciona, na prática, como um balanço de sua gestão à frente da ETE. Durante seis anos, Pe. Guy conduziu a escola por transformações profundas: enfrentou ameaças estruturais ao campus, consolidou o Ensino Médio, criou o Museu da Eletrônica, o Centro de Convivência Casa Nossa Senhora da Paz, a modalidade de Equipamentos Biomédicos e o próprio CEDEN. Sua atuação extrapolou os muros da escola, com papel decisivo também na reorganização do Hospital Antônio Moreira da Costa. Sua saída encerra um ciclo marcante da história recente da instituição.
Ainda em 2012, a ETE celebra o Jubileu de Ouro da ordenação sacerdotal do Padre Jaime Fernández, jesuíta que ingressou na Companhia em 1948 e passou a lecionar na escola em 1965. Responsável pela implantação dos laboratórios de Física e Química, Pe. Jaime simboliza a união entre ciência, educação e serviço público, lembrando que a inovação da ETE sempre caminhou lado a lado com seus pilares humanos.

Os anos seguintes aprofundam essa combinação entre memória, inovação e formação integral. Em 2013, a escola vive momentos de homenagem e despedida, reforçando o vínculo afetivo da comunidade com seus educadores históricos. No mesmo período, o grupo de teatro da ETE FMC passa por reformulação e adota novo nome, reafirmando a arte como parte essencial do processo educativo.
Em 2014, a ETE avança na ideia do campus como laboratório vivo de inovação. Uma parceria com a empresa Sollus resulta na implantação de um sistema inovador de iluminação em laboratório, com foco em eficiência energética e integração futura com energia solar. No mesmo ano, a instituição inaugura o Laboratório do Corpo, ampliando a atenção à saúde e ao cuidado físico dos estudantes, e firma parceria com a Pixel TI, que resulta na inauguração de mais um laboratório tecnológico. No dia 22 de julho de 2014, falece o Pe. Guy Jorge Ruffier e a missa de sétimo dia acontece na capela da ETE, reafirmando o laço duradouro entre a escola e seus antigos dirigentes.
O ano de 2015 consolida um eixo que se tornaria permanente: o esporte como instrumento educativo e social. A inauguração de um laboratório voltado à tecnologia esportiva reforça a interdisciplinaridade entre eletrônica, ciência e desempenho humano. Em outubro, nasce o Projeto Conexão Esportiva, fruto de parceria entre a ETE FMC, a empresa Metagal e o Governo de Minas Gerais, oferecendo gratuitamente atividades esportivas a centenas de crianças e adolescentes, com apoio da infraestrutura do Inatel.
No mesmo ano, a escola realiza a primeira edição da FECETE – Feira de Ciências e Tecnologia da ETE FMC, reunindo mais de 80 trabalhos e consolidando o protagonismo estudantil na produção científica. Em agosto, a comunidade celebra os 95 anos de vida e 75 anos de dedicação à Companhia de Jesus do Padre Furusawa, personagem silencioso e fundamental da história técnica e humana da ETE.
O ano de 2016 representa um marco institucional definitivo. A partir de 1º de janeiro, a Companhia de Jesus passa oficialmente a ser a mantenedora da ETE FMC, consolidando juridicamente um vínculo histórico. A escola passa a se integrar de forma plena à Rede Jesuíta de Educação, adotando diretrizes comuns, documentos orientadores e uma visão educacional compartilhada.
Nesse contexto, a ETE implanta o Sistema de Qualidade na Gestão Escolar, introduzindo processos de planejamento, avaliação e melhoria contínua. Em junho, inaugura o Protolab – Laboratório de Prototipagem, fortalecendo a cultura do desenvolvimento prático e da inovação aplicada. Ainda em 2016, a escola sedia a 2ª Feira Estadual de Ciências e Tecnologia, amplia o alcance do Projeto Conexão Esportiva — que realiza seu primeiro festival — e passa a trabalhar de forma alinhada ao Projeto Educativo Comum da Rede Jesuíta.
Em 2017, a proposta de educação integral se aprofunda. A criação de uma disciplina de conteúdo transversal amplia o debate ético e social no currículo. O Sistema de Qualidade entra na fase de implementação de melhorias. Parcerias com empresas atualizam laboratórios, como o de CFTV, enquanto projetos como a horta orgânica e ações sociais com moradores do asilo reforçam valores de sustentabilidade, empatia e serviço.
O protagonismo estudantil se expressa ainda na realização da Simulação Interna das Nações Unidas, envolvendo alunos do ensino médio em debates globais. No mesmo ano, o Projeto Conexão Esportiva recebe o Prêmio do Esporte Mineiro, reconhecimento estadual de seu impacto social.

O ano de 2018 consolida a ETE como referência em inovação e sustentabilidade. As edições do Hackathon ETE FMC estimulam criatividade, trabalho em equipe e desenvolvimento de soluções tecnológicas. O grande marco, porém, é a inauguração da Usina Solar Padre Furusawa, projeto de geração de energia limpa em larga escala, que transforma o campus em referência ambiental e homenageia um dos personagens mais longevos da história da escola. O falecimento do Padre Furusawa, no mesmo ano, mobiliza profundamente a comunidade e reforça o sentido de legado humano que atravessa a trajetória da instituição.
Em 2019, a ETE FMC celebra seus 60 anos de história. A data é marcada não apenas por comemorações, mas por uma reflexão sobre o papel da escola no desenvolvimento de Santa Rita do Sapucaí e do Vale da Eletrônica. Nesse contexto, é inaugurado o Centro Cultural, revitalização do antigo Museu da Eletrônica, ampliando o campus como espaço de memória, cultura e convivência. A PROJETE realiza edição especial comemorativa, alunos do ensino médio lançam um jornal próprio da escola e projetos interdisciplinares, como o Se Liga, além de iniciativas tecnológicas como protótipos de carro elétrico, demonstram que a instituição, ao celebrar seu passado, mantém-se firmemente voltada para o futuro.
Ao final da década de 2010, a ETE FMC se apresenta como uma instituição plena e madura. Estruturada sob a mantença da Companhia de Jesus, com gestão profissionalizada, forte infraestrutura tecnológica, atuação social consistente e profundo respeito à própria memória, a escola reafirma seu papel central no ecossistema educacional e produtivo de Santa Rita do Sapucaí.
Mais do que acompanhar o Vale da Eletrônica, a ETE FMC segue sendo uma de suas forças formadoras e estruturantes.

































