Bráulio Souza Vianna
Mamãe tinha um Gordini, comprado no Zezico, que era uma encrenca. Ela ia nele pela estrada do Balaio para dar aulas em São José do Alegre, mas quase sempre quebrava no caminho e tínhamos que ir lá socorrê-la.
O caminho nunca era fácil, estrada de terra, mas mamãe afeiçoou-se por demais aos Joseenses, era diretora da escola e adorada por todos.
“Alencar, me pediram para organizar um desfile de 7 de setembro lá em São José do Alegre porque o do ano passado foi um desastre. Então vamos fazer algo memorável. E você vai me ajudar”.
Papai recorreu aos seus amigos do Batalhão de Itajubá que destacaram uma parte da fanfarra e alguns soldados para participarem do desfile, e ele mesmo foi com seu uniforme de gala, branco e cheio de condecorações. Nós, filhos, também fomos convocados, até eu discursei, devia ter uns 9 anos.
Mamãe perfilou seus alunos logo atrás dos soldados do batalhão e todos desfilaram animados, arrumadinhos, puxados pelo som da fanfarra, com o Coronel abrindo o desfile.
Foi um sucesso, nunca tinha-se visto um desfile assim por lá. Floriano, que acabei conhecendo anos mais tarde, e de quem me tornei amigo, era aluno da mamãe, participou do desfile e disse que foi uma comoção na cidade.
Ao final, o prefeito sobe no palanque e agradece aos meus pais: “Professora Maria José e Coronel Alencar, nunca vamos nos esquecer deste desfile! Muito obrigado! Esse foi um 7 de Setembro com 7 maiúsculo!”. Até hoje tento imaginar um 7 maiúsculo.

































