(Jurandy Cabral Santiago)
Erasmo Cabral foi um dos homens mais importantes de Santa Rita do Sapucaí e região, na primeira metade do século XX. Com a crise de 1929, o produtor rural e comerciante de café perdeu toda a sua fortuna. sua filha, Jurandy Cabral Santiago, relembra como foram os anos seguintes.
Foi um sonho mau, uma mudança total na fazenda do paredão. Meu pai, surpreso e perplexo tentava aceitar a situação com serenidade. Minha mãe e os filhos, incrédulos, não conseguiam compreender o que estava se passando. Vieram os homens encarregados de arrolar os pertences de meu pai, os móveis e tudo mais dentro de casa. Eu os via anotando, mas não percebia bem tal inovação. Fomos para a cidade de automóvel, deixando tudo para trás. Antes de pegarmos a estrada, vieram alguns colonos se despedir e todos choravam. Foi uma comoção geral. Seguimos em frente com tristeza no coração e a alma amargurada.
Não gostaria de falar muito sobre o acontecido. Todavia, digo que não podiam decretar falência, porque meu pai não era só comprador de café, era produtor, tinha terras e podia entrar em concordata. Meus irmãos, que estudaram direito, ficaram posteriormente cientes da perseguição que ele sofreu. Felizmente, ele se reergueu e continuou trabalhando no ramo, isto é, representante de uma firma do Rio de Janeiro, de compra e venda de café. Nesse ano, ficamos morando na casa que meu pai havia comprado na cidade. Depois nos mudamos para outra, no centro, perto da igreja matriz. Eu me retraí muito. Não queria frequentar mais a sociedade, fiquei desiludida dessa vida fútil e cheia de falsidade. Mais tarde, meu pai comprou uma boa casa, na avenida Delfim Moreira. Foi à prestação, mas era nossa.
Os boatos maldosos eram frequentes. Eu era a que mais desejava me mudar da terra onde não éramos mais felizes. Os meus irmãos estudavam no colégio local. José terminou o ginásio e foi ser regente de alunos em Macaé, no Estado do Rio e, posteriormente, se transferiu para Belo Horizonte. Lembro-me de uma carta linda que ele me escreveu, falando sobre tudo que nos tinha acontecido e dizendo das saudades que sentia na capital. Cora e Haydée continuaram estudando na Escola Normal. Celso foi estudar no Ginásio de Pouso Alegre recebendo ensino gratuito oferecido por Dom Otávio Chagas de Miranda. Heitor, Sebastião e Ailton eram menores.
Como filha mais velha, resolvi registrar logo o meu diploma de normalista para começar a lecionar. Fui nomeada professora do Grupo Escolar Delfim Moreira, de Santa Rita. O pedido foi feito pelo Bispo de Pouso Alegre, o grande amigo de meu pai, ao Secretário da Educação, Mário Casassanta. Como a nomeação veio diretamente de Belo Horizonte, os membros do diretório do partido político local foram contra, alegando que havia uma estagiária esperando o cargo. Esqueceram-se de tudo o que meu pai havia feito em benefício da cidade, quando era Presidente da Câmara. Já havia até uma rua com o seu nome, porque houve muito progresso em sua gestão. Só pensaram em feri-lo, demitindo sua filha. Resolvi, portanto, ir trabalhar em qualquer outro lugar onde houvesse vaga. Enquanto estava aguardando solução, procurei encher o meu tempo. Tive alunos particulares e ensinei datilografia.
(Da obra “Um pedaço de vida”, de Jurandy Cabral Santiago)
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